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Sociedade da Caveira de Cristal

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
Vitor é um garoto nerd de 13 anos que passa boa parte de seu tempo pensando em Samara, sua amiga e amor platônico e jogando no computador. Ele vive com seus pais e recentemente perdeu seu avô, que foi vítima de uma epidemia causada pelo vírus Bola.

Após Mateus, o irmão de Samara, ter passado 13 dias desaparecido, Vitor entra no Skull a pedido da amiga que acredita que o jogo tem algo relacionado com o desaparecimento do irmão. O Skull é um jogo online e, como Vitor descobre mais tarde, muito viciante que conecta seus jogadores através de seus sonhos. Para muitos, o jogo é considerado um vírus.

Por falar em vírus, a cidade de Vitor está sofrendo uma epidemia do vírus Bola, que já fez várias vítimas além do avô do garoto. Vitor terá que lidar com o Bola, com Samara e, principalmente, com o Skull que fica mais viciante a cada partida.
Amo esse desenho. ♥
Vamos falar de algo super viciante, mais viciante que o Skull foi para Vítor e Matheus, Sociedade da Caveira de Cristal é um desses livros que proporcionam ao leitor uma leitura rápida, divertida e viciante.

Vitor tem 13 anos - idade adulta não reconhecida - e vive com seus pais numa cidade que sofre com a epidemia do vírus Bola que já fez várias vítimas, incluindo seu avô. Mesmo tendo medo do vírus, ele tenta pensar em outras coisas, fazer coisas que o ajudem a esquecer a ameaça do Bola. Fica muito tempo no computador, na maioria das vezes, jogando online.

Foi apresentado ao Skull por Samara, sua amiga e paixão platônica, que liga o jogo ao desaparecimento do irmão. Vítor começa a jogar simplesmente para ficar mais próximo de Samara, mas depois da terceira fase o jogo se tornou um vício. O Skull conecta os jogadores através de seus sonhos, de uma forma bem simples: é só fazer login, deixar computador e internet ligados, dizer uma frase mágica e dormir, automaticamente seus sonhos estarão conectados com os de outros jogadores e só então se inicia o verdadeiro jogo.

Além de se preocupar com o jogo, Vitor terá que lidar com Samara que acredita que o Skull seja muito mais que apenas um jogo de rede e também com o Bola que cada vez mais faz novas vítimas.

Gente, vocês não sabem o quanto eu amei esse livro, ele é todo ótimo. Rendeu várias gargalhadas, o Vítor é um narrador e tanto, bastante sarcástico e super divertido. Até mesmo quando o assunto é a Samara ele consegue ser divertido, mesmo querendo falar sério quando diz que ela tem mal gosto por não escolher ficar com ele, nerds não fazem o tipo da garota.

A relação de ambos é muito engraçada. Samara nem liga pro Vítor enquanto ele tem por ela uma paixão platônica, ela é o tipo de garota bonita que finge não saber disso e ele é um nerd magricela e espinhento. Eles são amigos, ou quase isso, ela é toda séria e ele fica insinuando que ela é apaixonada por ele. Eu ri muito desse "quase casal".
"Samara é muito parecida com o irmão, não dá pra saber o que virá. Tentei colar a imagem daquele rosto lindo no corpo de um lagartixa suada, ter asco ia me ajudar a esquecer essa ingrata."
Depois de conhecer o Skull, Vitor até esquece da Samara ou do Bola, ele ficou viciado de um modo que não pode ouvir sobre a desconfiança de Samara quanto ao jogo sem ficar irritado por ela acreditar que um jogo de internet, inofensivo pode fazer mal a alguém. E fica mais irritado ainda quando seu amigo Jorjão também desconfia que o jogo tem mais influência no mundo real do que ele pensa.

Um dos meus personagens favoritos é o Jorjão, ele não aparece tanto mas desde que ele foi citado pela primeira vez, criei uma certa afeição por ele. Ao contrário dos jovens da cidade, as mães não gostam dele, acham que ele não é uma boa influência para seus filhos. Na verdade, o Jorjão é super inteligente, dono de uma lan house e muito aventureiro. Graças a ele, Vitor e Samara encontraram a verdade.

O livro é dividido em 4 partes e cada uma delas vem com uma ilustração referente aos acontecimentos dela, eu adorei cada desenho, não entendo nada sobre desenhos mas gostei muito do traço usado, daria até pra imaginar que foram desenhados por Vitor, mas infelizmente ele estava ocupado demais no computador pra aprender a desenhar.

Os capítulos são bem curtos e isso, na minha opinião, deixa a leitura mais rápida, eu que tenho mania de parar de ler só quando terminar um capítulo, não gosto quando o capítulo é muito grande e demora acabar. A autora soube muito bem se expressar como um garoto de 13 anos,  a linguagem foi bem informal e de fácil compreensão para o leitor, principalmente se ele for uma pessoa de 13 anos.

Não consegui sossegar até que Vitor descobrisse a verdade, o livro é todo misterioso e cheio de surpresas. O mundo real e o virtual estão totalmente ligados e cabe a Vitor descobrir o que é certo e o que é errado. Recomendo que todos leiam esse livro e se juntem a Vitor nessa viciante aventura no mundo virtual que pode ter muitas consequências no mundo real.


Autora: Andréa Del Fuego
Número de Páginas: 183
Editora: Scipione

•Sobre a autora:



Nasceu em São Paulo, em 1975. Escritora e jornalista, publicou os volumes de contos Minto enquanto posso (O Nome da Rosa, 2004), Engano seu (O Nome da Rosa, 2007) e Nego fogo (D
ulcinéia Catadora, 2009), além de diversos livros juvenis e infantis. Seu primeiro romance, Os malaquias (Língua Geral, 2010), foi ganhador do Prêmio Saramago de literatura. (Fonte)

Pra você eu conto

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
Juca resolve contar ao seu neto Chico a emocionante história de sua primeira paixão: Marta, a professora de História que luta contra a repressão e contra os nazistas do Rio Grande do Sul. Ele retorna ao passado e revive os seus catorze anos, na época do Estado Novo, quando forças opressivas predominavam.

O que era pra ser mais um dia normal na escola para o tímido Juca, muda sua vida para sempre. O garoto se apaixona por Marta, a professora de História desde o primeiro momento em que a vê e se admira ainda mais com sua história, com a sua coragem e a sua força de vontade.

Além de ensinar o que é o amor a Juca, Marta também o faz enxergar o mundo com outros olhos.
Gente, que livro mais fofo. Não se deixem enganar pelo número de páginas, apesar de serem poucas, a história que contém nele é ótima e viciante, quando percebi já havia terminado de lê-lo e fiquei desejando mais.

Narrado por Juca, em Pra você eu conto, ele retorna ao passado e conta ao seu neto Chico a história de seu primeiro amor, um amor que o transformou totalmente. Aos catorze anos, ele conhece Marta a nova professora de História que luta contra o regime nazista e a opressão no Rio Grande Sul, ela meche com o coração do jovem de uma forma que jamais havia acontecido e, quando ele percebe, já está com ela na luta por um país melhor.

Eu nunca tinha lido nada do Moacyr Scliar, não por falta de vontade mas falta de oportunidade mesmo e quando minha professora me deu ele foi a coisa mais linda de todas - obrigada Suely ♥ -, quando li a descrição do livro, quase fiquei desanimada pensando que seria uma histórinha boba de um casal imposível de apaixonados que ficariam juntos no final. Mas não chega nem perto disso.

Juca vive com seu pai e os três irmãos mais velhos que trabalham duro para pagar o colégio em que Juca estuda, eles querem que o garoto tenha a educação que eles não tiveram a oportunidade de ter. O garoto se esforça para recompensar o esforço do pai e dos irmãos, mas nem sempre tem notas tão boas como esperam dele. Além de ser tímido e até um pouco covarde.

Já Marta é uma professora que foi demitida de várias outras escolas por culpa de seu comportamento e pensamentos sobre o nazismo. Mora com a mãe que sofreu um derrame numa pequena casa. Ela é determinada e luta pelos seus objetivos, mesmo que todos tentem impedi-la de fazê-lo.
Li esse livro assim que cheguei da escola, ele é pequenininho, tem desenhos super bem feitos e uma ótima história. Ele me prendeu de um jeito que não me deixou dormir antes de completar a leitura. Acho que não levei mais de uma hora pra lê-lo inteiro.

Acho que o fato de ter nazismo na história chamou bastante minha atenção pra leitura, a matéria de História é minha preferida e eu tenho uma certa fascinação pela Segunda Guerra Mundial, não pensem mal de mim, ok? Não concordo com guerras, nem com ditadores malucos, nem com uma chacina como a ocorrida nesse período, não mesmo. Só estou querendo dizer que esse é um dos fatos que eu mais gostei de estudar até agora e aprender mais sobre ele através de uma leitura como Pra você eu conto é muito bom.

O nazismo não é o foco principal do livro, mas a luta de Marta contra ele e a revolução que essa luta causou na pessoa de Juca. O garoto tímido e covarde passa a enfrentar os professores e o próprio diretor da escola para ajudar Marta, para ficar perto dela, não se importando com as consequências de sua atitude, como a expulsão da escola que seu pai e irmãos sofrem tanto para pagar. O amor pela professora revolucionou muito mais que seu coração, mudou pra sempre sua forma de ver o mundo.

Pra você eu conto é um livro muito bom, gostei demais dele, recomendo mesmo a todos, como já disse, ele é pequenininho e a leitura é super leve e viciante, quando derem por si já terão concluído ele todinho. Seria ótimo se vocês também conhecessem o Juca e entrassem com ele na luta de Marta, garanto que ela também mudará bastante o ponto de vista com que vêem o mundo, da mesma forma como mudou o meu e o de Juca.

De todas as coisas que aprendi com esse livro, levarei pra sempre o exemplo de Marta que não desistiu mesmo que parecesse loucura, mesmo que parecesse impossível, mesmo que não existisse ninguém para apoia-la.


Autor: Moacyr Scliar
Número de Páginas: 66
Editora: Atual

• Sobre o Autor:

Nasceu em Porto Alegre em 1937. Autor de mais de setenta livros em vários gêneros, romance, conto, ensaio, crônica, ficção infanto-juvenil, suas obras foram publicadas em mais de vinte países, com grande repercussão crítica. Recebeu numerosos prêmios, como o Jabuti (1988, 1993 e 2000), o APCA (1989) e o Casa de las Américas (1989). Foi colaborador em vários órgãos daimprensa no país e no exterior. Teve seus textos adaptados para cinema, teatro, televisão e rádio, inclusive no exterior. Foi médico e membro da Academia Brasileira de Letras. Morreu em março de 2011. (Fonte)

Eu me chamo Antônio

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
Imagino que todos conheçam ou já ouviram falar da página Eu me chamo Antônio, página que nasceu em outubro de 2012 que, com seus guardanapos escritos em bares cariocas e cheios de poesia, conquistou leitores de todas as partes do Brasil.

Composto por guardanapos selecionados por Pedro Gabriel , Eu me chamo Antônio traz à tona as histórias vividas por seu alter ego em noites regadas a chope, desde a cuidadosa aproximação da pessoa desejada, o encantamento e a paixão, até o sofrimento provocado pela ausência e a dor da perda. Mas, como uma noite é sempre diferente da próxima, Antônio ri de si mesmo e sempre parte para outra.
"Estou passando por uma frase difícil."
Venho acompanhando Antônio desde o começo, no final de 2012 tive a oportunidade de encontrar o seu tumblr e, logo quando consegui entender sua letra, me encantei com suas frases e sua capacidade de brincar com as palavras. Por ter nascido em N'Djamena, cidade da África, e aos doze anos ter mudado para o Brasil sem entender ou formular uma frase correta em português, Pedro Gabriel passou a prestar mais atenção nas palavras, a brincar com elas e isso explica essa capacidade de usar as palavras de forma tão inteligente.

Além da brincadeira com palavras, Pedro Gabriel também chama atenção ao usar guardanapos de papel como sua tela em branco, dando uma nova utilidade para aqueles guardanapos que usamos e logo descartamos, algo simples e uma forma muito bonita de reciclagem. Com suas palavras bonitas, seus guardanapos e uma letra que eu adoro, Pedro Gabriel criou frases regadas de sentimentos que muitas vezes ajudaram tantas pessoas, eu inclusive, a entenderem melhor seus sentimentos e vê-los de uma forma diferente, de uma forma mais bonita.

Eu me chamo Antônio se tornou o meu pequeno livro de auto-ajuda, Antônio se tornou um grande amigo desde a época do tumblr e agora ter um livro com seus melhores guardanapos é o máximo, pois poderei leva-lo para onde quer que eu for e ler sempre que eu precisar de palavras consoladoras. Não importa o que eu esteja sentindo, sei que se eu abrir o livro encontrarei algo com que me identificarei, me encontrarei no meio das palavras.
"Tirei a roupa do dia e a noite ficou toda Lua."

Mesmo não sendo muito "fã" da editora e nem ter lido muitos títulos publicados por ela, acredito que devo parabenizar a todos os envolvidos na edição de Eu me chamo Antônio porque ele se tornou um dos livros mais bonitos da minha estante. Suas cores, imagens, o sumário com as "traduções" dos guardanapos e o guardanapo em branco no fim do livro o tornaram diferente de todos os outros livros que li e isso ganhou me coração.
Se fosse pra mudar algo nessa edição, seria apenas a lombada do livro que está solta, no começo pensei que fosse só comigo mas depois percebi que várias pessoas tiveram o mesmo problema, não sei porque isso aconteceu, mas foi só um detalhe que foi resolvido com cola branca. Outra coisa ruim também foi o número de páginas, um livro lindo com um conteúdo maravilhoso deveria vir com mais páginas ou deveria existir um segundo livro com mais guardanapos lindos, ficaria muito grata se isso acontecesse, sério.

O livro é lindo de todas as maneira possíveis, mas lindo mesmo dá até uma vontade de abraçar ele e não largar mais. Ele não é feito apenas de guardanapos, mas coisas relacionadas a eles o que me permitiu desfrutar de várias sensações, como a liberdade ao ver pássaros num céu azul, o livro é repleto de sensações boas que dão ao leitor a sensação de estar nele, de fazer parte dele.
"Eu não sou amargo é que, às vezes, a vida rouba nossa doçura."

Acho que é normal desejar mais de algo que te faz bem, então é normal eu querer mais desse livro lindo, já perdi a conta de quantas vezes o reli e sei que relerei ainda muitas outras vezes, ele é maravilhoso e encantador de todas as formas possíveis. Antônio é um amigo e tanto e acredito que vocês deveriam dar uma chance para ele e conhecer seus amores, se não for através desse livro lindo, que seja em sua página do facebook, tumblr ou instagram. Garanto que não se arrependerão.


Autor: Pedro Gabriel
Número de páginas: 192
Editora: Intrínseca 

•Sobre o Autor:


Nascido na capital da República do Chade, país localizado na região centro-norte da África, Pedro Antônio Gabriel Anhorn é filho de uma professora de História brasileira e de um suíço que tinha a ajuda humanitária como ofício. Educado em francês, chegou ao Brasil aos 12 anos de idade — e até os 13 anos não formulava uma frase correta em português. A partir da dificuldade na adaptação ao idioma, que lhe exigiu muita observação tanto dos sons quanto da grafia das palavras, Pedro desenvolveu talento e sensibilidade raros para brincar com as letras. (Fonte)

Galeria Fosca

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
A editora Globo selecionou textos que trouxessem à tona o escritor jovem e inquieto que Erico Verissimo foi, textos que com o tempo se tornaram inacessíveis ao leitor e mereciam ser reeditados. A seleção foi feita através de três fontes: a Revista do Globo, da qual Erico foi editor; um volume de contos e artigos intitulado As mãos do meu filho e o primeiro volume da coleção completa de sua obra, editada em 1956.

Galeria Fosca reúne textos de Erico Verissimo selecionados pela editora Globo. Contos, crônicas e ensaios sobre literatura com temas e personagens diversos mostram ao leitor muito mais do que simples histórias, mas também opiniões do autor sobre a sociedade e vários outros temas, permitindo que o leitor conheça um pouco do ponto de vista do autor através de contos e crônicas com personagens marcantes ou de forma mais direta através de um artigo.
Como eu já disse, esse livro lindo com a capa dura, folhas amareladas e com um cheiro muito bom foi presente do Italo e eu o agradeço muito por ter me dado a oportunidade de conhecer Erico Verissimo através de um livro tão bom como esse.

Textos selecionados pela editora Globo formam o conteúdo de Galeria Fosca. Contos, crônicas e artigos de Erico Verissimo, principalmente os escritos para a Revista do Globo, são reunidos para criar o livro que me fez conhecer o autor e seu trabalho, suas opiniões sobre diversos assuntos e sua capacidade de criar personagens e situações marcantes.

Não sou muito fã de livros de contos, poesias ou qualquer coisa que não seja um Romance, sempre folheio livros de contos e leio alguns mas essa foi a primeira vez que li um inteiro. O autor escreve de forma tão boa que foi impossível ler só alguns contos como eu sempre fiz, li todos os contos, artigos, ensaios, crônicas e adorei todos, ou a maioria. Galeria Fosca foi um ótimo livro para eu começar a ler Erico Verissimo e também ler outros livros de contos.

Cada crônica e conto traz personagens e situações diferentes, alguns emocionantes e outros engraçados, ou até mesmo assustadores. É possível saber a opinião do autor através de vários textos, algumas situações são tão atuais e suas opiniões sobre elas são ainda mais atuais, foi fácil se identificar com alguns de seus pensamentos. O autor escreve de um forma de fácil compreensão e expressa sua opinião de um forma direta, sempre argumentando e fazendo o leitor entender os seus motivos para que nada fique sem uma explicação.

É claro que eu já tenho os meus textos favoritos, falarei um pouco deles para vocês: Alô, gângster! foi o que eu achei mais engraçado e mostra o efeito que as palavras podem ter na vida de um pessoa; O elemento humano mostrou como julgamos muito as pessoas, como as tornamos diferentes do que elas realmente são; O professor dos cadáveres é assustador e eu o adorei por ter um suspense que te deixa super tenso, é possível deduzir alguma coisinha através do título; Monteiro Lobato no céu foi o mais emocionante de todos, foi escrito quando o autor descobriu sobre a morte de seu amigo escritor e permite ao leitor conhecer a personalidade de Monteiro Lobato, nunca parei pra vê-lo da forma como ele é descrito por Erico; Reflexões sobre o romance-rio é o texto escrito em 1937 mais atual que eu já li, traz a opinião do autor sobre a velocidade em que a sociedade vem vivendo, sempre com pressa, sempre sem tempo, sem dúvidas foi o que eu mais gostei.

Recomendo muito o livro para quem quer conhecer o autor, acho legal conhecer autores através de livros que deixem suas opiniões bem claras e é esse o caso nesse livro. Depois de lê-lo, cheguei à conclusão de que preciso começar a ler mais livros de contos e conhecer mais obras de Erico Verissimo, pois, se seus outros livros se compararem aos textos reunidos em Galeria Fosca, eles serão ótimos.


Autor: Erico Verissimo
Número de Páginas: 136
Editora: Globo

• Sobre o Autor:


Érico Lopes Veríssimo nasceu em Cruz Alta, em 1905 e faleceu em Porto Alegre, em 1975. Concluiu o 1º grau (antigo ginásio) em Porto Alegre. De volta a sua cidade natal, empregou-se no comércio, foi bancário e sócio de uma farmácia. Em 1930, transferiu-se para Porto Alegre, onde, depois de trabalhar algum tempo como desenhista e de publicar alguns contos na imprensa local, empregou-se na Editora Globo como secretário do Departamento Editorial. Viajou duas vezes aos Estados Unidos, onde ministrou cursos de literatura brasileira. (Fonte)

Tempo de Esperas

domingo, 17 de novembro de 2013
Alfredo é um jovem estudante de filosofia que entregou seu coração à Clara, que o partiu quando trocou Alfredo por um simples florista. Vendo o amor de sua vida partir, ele tenta compreender a sua dor e é através de um professor que ele descobre Abner, um professor que deixou de lado a glória de sua vida acadêmica para refugiar-se em uma vida simples.

Através de correspondências, uma amizade entre professor e aluno começa à nascer, onde Abner auxilia Alfredo a reencontrar o equilíbrio perdido. Durante a troca de cartas, várias questões humanas são discutidas e o aluno passa a compreender não só sua dor, mas também de clara e, principalmente, passa a compreender o quanto é importante semear a paciência.
Se alguém aqui tem um certo preconceito ou simplesmente não gostam de ler livros escrito por católicos ou qualquer livro escrito por algum representante religioso, eu sugiro que deixe sentimentos assim de lado e procurem conhecer Tempo de Esperas. Eu estava sem nada para ler, então peguei o livro nas coisas da minha mãe e, com um pouco de receio de que ele seria super religioso, comecei a folheá-lo e me interessei demais pelo assunto do livro. Eu me enganei ao acreditar que ele seria apenas um livro pra passar o tempo, foi bem mais que isso.

Alfredo, inicialmente, é aquele tipo de pessoa que quer algo e quer logo, um personagem que planejou tanto o futuro mas esqueceu de viver o presente, teve seu coração partido por Clara e quer entender isso através de uma forma racional, deixou que a razão sufocasse a emoção. Alfredo foi o personagem com quem eu mais me identifiquei.

Abner é aquele personagem que já viveu demais, que adquiriu experiências e que ensina à Alfredo que o reconhecimento acadêmico não importa tanto e que nem sempre é sábio deixar a razão falar mais alto ou tornar o futuro mais importante que o presente. Com o conhecimento adquirido pelo tempo, ele mostra para o aluno que a paciência é uma das maiores virtudes do ser humano e que é preciso saber esperar para que tudo se resolva.

Me sinto mal por não ter lido esse livro antes, ele me ajudou como nenhum outro, é um daqueles livros que parecem que foram escritos especialmente pra você, sabem do que estou falando? Eu compartilhei as dores de Alfredo e, assim como ele, aprendi lições valiosas com Abner. Tempo de Esperas é um livro consolador, que veio na hora certa e me ensinou aquilo o que eu precisava aprender.

Acredito que muitas pessoas não leram o livro porque, assim como eu, sentiram algum preconceito por ele ser escrito por um padre, mas eu recomendo à todos que pensaram dessa forma que deem uma chance à ele pois é maravilhoso e, com certeza, ajudará de alguma maneira ou simplesmente irá fazer com que se encantem com uma amizade verdadeira e com lições valiosas.
Autor: Pe. Fábio de Melo
Número de Páginas: 167
Editora: Planeta

• Sobre o Autor: 


Padre Fábio José de Melo Silva, mais conhecido como Padre Fábio de Melo nasceu no dia 3 de abril de 1971, na cidade de Formiga (Minas Gerais). É um sacerdote católico, escritor, artista, professor universitário e apresentador de TV, pertencente originalmente à Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus. Ficou nacionalmente conhecido por seu trabalho como comunicador: sua obra compõe-se de 6 livros publicados e também de 11 CDs. Foi ordenado em 2001 e atua na diocese de Taubaté, no interior do Estado de São Paulo. (Fonte)

O Encontro Marcado

sábado, 19 de outubro de 2013
Olá ♥. Não, eu não morri, só estava sem internet, o que foi uma pena porque tinha vários posts pra essa semana então deixarei pra postá-los na semana que vem. Antes de falar sobre o livro, tenho uma novidade linda: O Menino no Espelho vai virar um filme! ♥ O Menino no Espelho é um livro incrível do Fernando Sabino e eu tô super ansiosa por essa adaptação. Alguém já leu o livro?
Eduardo Marciano sempre foi o exemplo perfeito de filho único que sempre conseguia o que queria, mimado por todos à sua volta, jamais desistiu de um objetivo antes que esse fosse cumprido pois sabia que mais cedo ou mais tarde conseguiria cumpri-lo. A vida lhe ensinou isso.

Começou cedo sua carreira de de escritor, escrevendo contos vencedores de concursos e artigos para o jornal local, mas sua ambição sempre foi um livro, uma coletânea de seus contos ou até mesmo um Romance mas jamais conseguiu inspiração para tanto. Durante sua trajetória, Eduardo conhece pessoas que passam, deixam sua marca e vão embora; adquire experiência e descobre sentimentos que jamais imaginou sentir. Mesmo parecendo experiente demais para sua idade, Eduardo ainda busca freneticamente algo que explique sua existência.

O caminho para encontrar respostas pode ser longo e cheio de obstáculos em que muitos desistiram sem completá-lo, mas Eduardo não desistirá, não aceitará uma resposta incompleta, ele irá até o fim.
Já falei aqui no blog que o Fernando Sabino se tornou meu autor favorito depois de ler só 3 livros dele, depois de ter lido O Encontro Marcado eu tenho certeza sobre ele ser um grande autor e, sem dúvidas, ele é um dos meus autores favoritos.

Sei que, por mais que eu escreva, não conseguirei expressar minha opinião por esse livro, então direi apenas que ele é MARAVILHOSO. Com personagens, situações e mensagens marcantes, O Encontro Marcado ganhou meu coração.

Eduardo Marciano - não "Mariano" - começou a viver cedo e já cedo começo a questionar sua existência, sobre quem ele é. Ganhou dinheiro escrevendo contos e artigos para revistas e jornais, se tornou escritor precocemente e na busca de inspiração para escrever um livro ele acaba vivendo uma vida de escritor com suas desilusões amorosas, problemas familiares e as reviravoltas.

É impossível não se identificar com nenhum dos personagens desse livro, o autor conseguiu juntar todas as personalidades em uma única história, o que faz com que o leitor se apegue mais à história, que ele se sinta parte dela. Eduardo carrega em si todas as personalidades, é impossível não se identificar com um personagem tão real, com sentimentos tão conhecidos, seus ganhos, suas perdas, seus erros, seus acertos, suas dúvidas e certezas fazem dele um conhecido, um amigo cujo os sentimentos compreendemos e compartilhamos. Muitas vezes pensei que o narrador estivesse contando a minha história, expressando meus sentimentos, muitas vezes pensei que eu fosse Eduardo, mas a verdade é que todos somos Eduardo.

É difícil encontrar um livro como O Encontro Marcado, um livro que me ganhou nas primeiras páginas, que conta a história de um homem à procura de seu verdadeiro Eu, de uma motivação. Um homem que vive as reviravoltas da vida, que tem que aceitá-las e encontrar forças para continuar vivendo, em si mesmo ou em outras pessoas.

O Encontro Marcado é um livro sobre um homem que sabe que tudo muda e que é preciso sempre seguir em frente, porque a vida não esperará até nos adaptarmos às mudanças, ela seguirá. Sempre em frente.

Autor: Fernando Sabino
Número de Páginas: 302
Editora: Record

• Sobre o Autor:


Nascido em Belo Horizonte no dia 12 de outubro de 1923, o escritor e cronista Fernando Tavares Sabino era o último vivo do quarteto mineiro de escritores integrado por Hélio Pellegrino (1924-88), Otto Lara Resende (1922-92) e Paulo Mendes Campos (1922-91). Essa amizade inspirou Sabino a escrever "O Encontro Marcado" (1956), seu livro de maior sucesso.
Além de "O Encontro Marcado", suas principais obras foram "O Homem Nu" (1960), "O Menino no Espelho" (1982) e "O Grande Mentecapto" (1979), que deu a Sabino o Prêmio Jabuti. (Fonte)

O Futuro da Humanidade

terça-feira, 24 de setembro de 2013
 Marco Polo é um futuro médico que tem o espírito livre e aventureiro, como o navegador veneziano do século XII, em quem seu pai se inspirou ao escolher seu nome.

Todos o sonhos e expectativas que tinha ao entrar para a faculdade são destruídos ao perceber a falta de sensibilidade e interesse que seu professor de anatomia trata do cadáver de um mendigo que será estudado, sem nem ao menos ter a curiosidade de saber a quem o corpo pertencia, qual era sua história.

Inconformado com a frieza de seu professor e dos colegas de classe, Marco Polo sai em busca de respostas que possam lhe contar a história do mendigo que ele estudará. Em sua busca, ele encontra Falcão, um mendigo que tem todas as suas resposta mas também tem muitas perguntas. Sua visão do mundo muda após a entrada de Falcão em sua vida.

Marco Polo passa a desafiar os mais ilustres profissionais para provar que por trás dos sintomas de seus pacientes existem histórias feitas de perdas, lagrimas e decepções; e que a cura para a maioria delas está no dialogo e não no medicamento.
Marco Polo é um personagem maravilhoso e eu estou completamente apaixonada por ele, a "aventura" que ele vive é ótima e as lições que ele aprende são muito valiosas mas eu me senti lendo O Vendedor de Sonhos, não que isso seja algo ruim, eu gostei bastante, fiquei até imaginando que o Falcão pudesse ser o Mestre.

Antes desse livro, Augusto Cury só escrevia livros de auto-ajuda e, como O Futuro da Humanidade é seu primeiro romance, é possível ver vários trechos em que o romance vira auto-ajuda, como se o autor ainda não tivesse "desapegado" totalmente do gênero, algumas frases são tão auto-ajuda que parecem que foram tiradas do facebook, esse é o único ponto negativo do livro.

Durante sua busca pela história do mendigo, Marco Polo conhece Falcão, um mendigo que "não tem nada mas tem tudo", que acaba mudando completamente a visão de Marco Polo para o mundo ao seu redor, o ensinando a apreciar as coisas simples e questionar os acontecimentos em sua vida.

O livro conseguiu me emocionar de tal forma que antes do décimo capítulo eu estava chorando como se não fosse parar nunca. É emocionante ter uma visão do mundo pelos olhos do Falcão e encontrar a sua beleza em coisas simples. Depois de conhecer o Falcão, eu tive que me controlar pra não sair por ai abraçando as árvores.

O Futuro da Humanidade me fez enxergar a sociedade da forma como ela realmente é: cheia de preconceitos e julgamentos, onde ser feliz é quase a mesma coisa de ser um louco e a "loucura" é tratada com medicamentos e exclusão, formando pessoas psicologicamente saudáveis e solitárias.

Uma história emocionante que nos mostra o poder que a palavra e a igualdade tem na vida das pessoas, podendo mudá-las completamente. O livro foi lindo do começo ao fim e seria impossível não me apaixonar por ele e recomendá-lo para que todos leiam e tirem suas próprias conclusões sobre os valores que realmente realmente importam numa sociedade onde a superficialidade e o preconceito estão em todo lugar.


Autor: Augusto Cury
Número de Páginas: 256
Editora: Sextante

• Sobre o Autor

Psiquiatra, cientista, escritor e fundador da Academia de Inteligência, um instituto que promove o treinamento de psicólogos, educadores e profissionais de recursos humanos. É autor da Inteligência Multifocal-1998 (Editora Cultrix), Treinando a Emoção para Ser Feliz-2001, A Pior Prisão do Mundo-2000 (renomeado para Superando o Cárcere da Emoção) e dos livros da coleção Análise da Inteligência de Cristo (O Mestre dos Mestres-1999, O Mestre da Sensibilidade-2000, O Mestre da Vida-2001 e O Mestre do Amor-2002), Você é Insubstituível-2002, Revolucione sua Qualidade de Vida-2002, Escola da Vida-Harry Potter no Mundo Real-2002, Pais Brilhantes e Professores Fascinantes-2003 e outros. (Fonte)

Rios Sedentos

segunda-feira, 9 de setembro de 2013
Eduardo nasceu em uma pequena cidade da caatinga baiana mas vive a muito tempo em São Paulo, onde tem mulher e filho. Depois de um telefonema de sua mãe dizendo que sua cidade natal será destruída pelas águas de um barragem, ele segue para a Bahia em companhia do filho Fernando, o narrador da história.

Fernando finalmente tem a oportunidade de conhecer a cidade em que seu pai nasceu, sua avó e, principalmente, o próprio pai numa viagem que estreitará ainda mais os laços afetivos entre pai e filho.
O livro tem poucas páginas mas todas elas são cheias de ilustrações super coerentes com a história e, já disse isso aqui, eu adoro livros ilustrados pois nos permitem imaginar mais como são os cenários e os personagens da história.

A edição é simples mas muito bem trabalhada, a fonte tem um ótimo tamanho e os desenhos são tudo, eu passei a gostar do livro apenas pelas ilustrações e suas cores.
Eu não sabia o que esperar do livro, confesso que só peguei ele por ter ficado com preguiça de escolher algum livro e também estava com um pouco de pressa porque ainda queria chegar a tempo de comer no refeitório. Digo que foi ótimo sentir preguiça e pressa porque esse livro é muito lindinho, eu adorei.

O Fernando é um ótimo narrador e, apesar da pouca idade (12 anos), ele é um menino muito maduro. Sua narrativa é fiel a seus pensamentos e opiniões, seus sentimentos são bem expressos de uma forma compreensível ao público alvo do livro, o público infantil/infanto-juvenil. Foi uma ótima escolha do autor criar um narrador com (quase) a mesma idade dos seus leitores.

Li Rios Sedentos em menos de uma hora, são poucas páginas e a história é envolvente. Eu me emocionei com as lembranças que o pai de Fernando tinha do lugar onde nasceu e em saber que tudo aquilo só ficaria em sua memória, que seria tudo destruído pela barragem.

Minha mãe — Beijo mãe, sua linda! ♥  — diz que "Alguns males veem pro bem", fiquei pensando nessa frase quando terminei de ler, pois foi graças à destruição da cidade de seu pai que Fernando passou a conhecê-lo melhor, é meio estranho pensar dessa forma mas faz sentido.

Amei demais esse livro, ele é tão simples mas tão maravilhoso. Rios Sedentos é completo, tem uma boa história e uma grande capacidade de emocionar e nos fazer refletir. Recomendo para todos, não importa se é criança ou adulto, o livro é cativante e todos deveriam conhecê-lo e acompanhar Fernando em suas descobertas.

Autor: Roniwalter Jatobá
Número de Páginas: 64
Editora: Nova Alexandria

• Sobre o Autor:

Roniwalter Jatobá nasceu em 22 de julho de 1949 em Campanário, Minas Gerais. Aos dez anos foi morar em Campo Formoso, Bahia, onde concluiu, em 1964, o curso ginasial. Em 1970, veio para São Paulo. Entrou para a Editora Abril no final de 1973, na área gráfica, e cinco anos depois, formou-se em jornalismo. Foi redator das publicações infanto-juvenis desta editora e da Rio Gráfica (hoje Globo) e colaborou em Versus, Folha de S. Paulo, Movimento, Escrita, Ficção e outros. No final dos anos 70 viveu sete meses na Europa, num exílio voluntário. De volta ao Brasil foi redator do Nosso século, editor de textos de Movimento e Retrato do Brasil (fascículos), editor executivo de Saúde, Boa Forma e de publicações especiais da revista Corpo a Corpo; criou e dirigiu ainda a revista Memória e editou livros históricos na Eletropaulo. (Fonte)

Vento Sudoeste

quinta-feira, 5 de setembro de 2013
O delegado Espinosa sai para encontrar um homem que lhe faz um estranho pedido: que ele investigue um assassinato que ainda não foi cometido, o homem não sabe dizer quando ocorrerá ou quem será a vítima, sabe apenas que o crime será cometido por ele próprio.

A principio o delegado acreditou que o homem precisa mais da ajuda de um psiquiatra do que de um delegado, mas com o passar do tempo ele acaba se envolvendo numa trama assombrada por conflitos psicológicos e assassinos em potencial.
Estavam com saudade do Luiz Alfredo Garcia-Roza aqui no blog? Eu estava. Pensei que não encontraria nenhum outro livro dele na biblioteca e quando achei foi lindo, quase chorei, de verdade. Minha emoção ficou ainda maior quando vi as páginas azuis dele, são lindas demais.

Em Vento Sudoeste o autor conta como Espinosa conheceu Gabriel - um homem de quase 30 anos que ainda mora com a mãe, uma fanática religiosa - que lhe pede para investigar um crime que ele cometerá, mesmo não sabendo quem morreria ou quando o crime aconteceria.

O livro é a estreia de Irene, companheira amorosa de Espinosa e a pessoa que amo demais nos livros. Foi legal conhecer ela no inicio e deu pra perceber que ela mudou muito desde Vento Sudoeste e Céu de Origamis, então pretendo ler os livros da sequência pra poder acompanhar a evolução da personagem.

Só posso dizer que Luiz Alfredo Garcia-Roza me surpreendeu novamente. Li o livro em menos de dois dias porque eu precisava saber quem matou quem, quem ia ficar com quem, se o Espinosa ia ou não ficar com o Vizinho (cachorro que a Alice "deu" pra ele).

Eu não diria que o livro foi previsível mas desde o começo já pude imaginar um pouco o que aconteceria, me senti uma vidente quando aconteceu o que pensava, mas me surpreendi com os detalhes e os motivos do acontecimento. Eu amei como se desenvolveu a história e como a trama foi resolvida e o autor colocou todos os pingos nos is.

Mesmo achando o livro completo, o autor deixou o final "em aberto", então pude tirar duas conclusões sobre o que realmente aconteceu, isso é uma coisa legal porque sempre vai ter aquele mistério e aquela pequena dúvida sobre o que realmente aconteceu, prefiro finais assim do que aqueles que simplesmente acabam e não deixam nenhuma dúvida pairando no ar, nada pro leitor pensar depois de terminar a leitura.

Vento Sudoeste foi outro livro que me encantou, me prendeu e me deixou louca pra ler mais livros do autor, espero que você também leiam algo do autor porque vale muuuuuuuuito a pena conhecer o trabalho dele, qualquer amante de um bom romance policial deve conhecer o autor e Vento Sudoeste, uma ótima obra, sem dúvidas.

Autor: Luiz Alfredo Garcia-Roza
Número de Páginas: 210
Editora: Companhia das Letras

  • Sobre o Autor:



Luiz Alfredo Garcia-Roza nasceu em 1936, no Rio de Janeiro. Formado em psicologia, foi professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e é autor de livros sobre psicanálise e filosofia. Deixou a vida acadêmica para dedicar-se a ficção policial e às investigações do delegado Espinosa, personagem central de quase todas as suas histórias. Seu romance de estréia, O Silêncio da Chuva, recebeu os prêmios Nestlé de Literatura (1996) e Jabuti (1997). (Fonte)

1808 (Edição Juvenil Ilustrada)

segunda-feira, 26 de agosto de 2013
1808 resgata e relata de forma acessível um dos momentos mais singulares da história do Brasil: a fuga da família real portuguesa para o Rio de Janeiro e a transformação do Brasil-colônia em capital do império português.

 A irresistível história de como a chegada da corte lusitana no Brasil mudou para sempre o destino do país é contada pelo jornalista Laurentino Gomes, responsável por um trabalho de dez anos de investigação jornalística para escrever o livro. A apuração rigorosa resulta numa reconstituição histórica primorosa do clima da época, marcado pelas guerras napoleônicas, pelas revoluções republicanas e pela escravidão.
Eu não sei como é a edição original, mas a edição ilustrada é linda, cheia de desenhos e detalhes maravilhosos. A capa é muito bem feita, todos os detalhes em dourado da capa e das orelhas têm o estilo laminado/metalizado e estão em relevo, assim como o nome do autor e o desenho de D. João VI. Logo nas primeiras páginas, tem um calendário, com todos os acontecimentos que marcaram a história desde a Revolução Francesa até a independência do Brasil, tem até o lançamento do livro dos irmãos Grimm, que me fez lembrar que preciso terminar de assistir a 2° temporada da série.
São poucas as páginas do livro que não têm uma ilustração, as vezes elas são bem grandes e outras super pequenas, a maioria delas têm uma legenda embaixo só pra gente saber o que elas representam e todas são fiéis à história. É uma pena que a câmera do meu celular não seja boa pra vocês verem direitinho cada detalhe do livro.
Eu nunca tinha lido nada como esse livro, apesar de ter ouvido muito dele, sempre tive medo de que ele fosse uma aula de História, eu gosto da matéria de História, mas as vezes ela se torna entediante e eu temia que o livro me desse tédio também.

Me enganei muito pensando assim, 1808 é ótimo, a leitura é muito fácil e os personagens são marcantes e muito bem descritos. Mesmo que a edição juvenil não contenha todos os personagens e cenas que contém a edição original, não está faltando nada, tudo o que realmente importa foi colocado no livro. A narrativa é engraçada, não sei se é por ser direcionada ao público jovem ou se é o modo do autor escrever, pretendo ler a edição original pra saber.

O autor é super fiel aos fatos e não escreve nada mais do que realmente aconteceu, posso dizer que os dez anos de investigações, valeram muito a pena, pois 1808 é maravilhoso, um ótimo livro para quem quer conhecer mais da história do nosso país e as pessoas que contribuíram, mesmo que indiretamente, para tornar o Brasil o país que é hoje.

Estou louca para ler o resto da trilogia, para conhecer um pouco mais sobre a obra do autor e, principalmente, conhecer mais sobre a história do meu país. Recomendo que todos façam o mesmo, 1808 é contagiante e engraçado, fundamental para quem quer conhecer os fatos que auxiliaram para a formação do Brasil.

Esse foi o primeiro livro reportagem que li e gostei, espero que vocês leiam e gostem.

Autor: Laurentino Gomes
Número de Páginas: 146 
Editora: Planeta

  • Sobre o Autor:


Autor do livro 1808, sobre a fuga da família real portuguesa para o Brasil, o escritor Laurentino Gomes ganhou o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, nas categorias Melhor Livro Reportagem e Livro do Ano de Não-Ficção.
Sua obra também foi eleita o Melhor Ensaio de 2008 pela Academia Brasileira de Letras e permaneceu três anos consecutivos na lista dos livros mais vendidos de Portugal e do Brasil. Nascido em Maringá, é formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná, com pós-graduação em Administração pela Universidade de São Paulo.
Trabalhou como repórter e editor para o jornal O Estado de S. Paulo e a revista Veja e foi diretor da Editora Abril. É membro titular da Academia Paranaense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo.

Caetés

segunda-feira, 19 de agosto de 2013
Primeiro romance de Graciliano Ramos, Caetés foi publicado inicialmente em 1933. João Valério, o personagem principal, introvertido e fantasioso, apaixona-se por Luisa, mulher de Adrião, dono da firma comercial, onde trabalha. O caso amoroso é denunciado por uma carta anônima, levando o marido traído ao suicídio. Arrependido, João Valério afasta-se de Luisa, continuando, porém, como sócio da firma.
Essa foi a primeira vez que uso uma sinopse do Skoob e não escrevo uma própria por puro medo de dar spoilers, mas a sinopse do Skoob também contém spoilers. Pra falar a verdade, é possível conhecer a história inteira através da sinopse.

João Valério é um jovem metido a escritor que trabalha na firma de Adrião, que é casado com Luísa uma jovem mulher que João ama secretamente a mais de três anos. João narra através de forma simples e sincera sua frustração por não conseguir escrever seu livro sobre uma tribo indígena, seu amor por Luísa, a inveja que sente por Adrião e, finalmente, o desapego.

Eu realmente não sei o que pensar do livro, estou sofrendo uma relação de amor e ódio por ele. Quando li a sinopse fiquei toda empolgada acreditando que depois da morte de Adrião eles sofreriam uma crise e tudo o mais, mas não foi isso, nada aconteceu. Não houve nada que me emocionasse durante a leitura, mas mesmo assim eu queria continuar lendo ele e não sosseguei até terminar de lê-lo.

Talvez o motivo pela minha necessidade de terminar de ler foi por que o bibliotecário disse: "Aposto que você vai gostar.", eu gostei, mas não da forma que eu esperava. Eu adorei todos os diálogos entre os amigos de João, os personagens secundários são super interessantes e muito engraçados, o livro que João está escrevendo parece ótimo mesmo que não esteja terminado, a sinceridade com que João expressa seus sentimentos deixa o livro com um toque mais verdadeiro, mas não consegui gostar do João ou da Luísa, eles são do tipo sem sal e eu odiei a forma como a Luísa tratou o João e como ele simplesmente deixou pra lá, de uma hora pra outra, a mulher que ele amou por anos. Confesso que me interessei mais pelo livro que o João estava escrevendo do que pela sua vida "amorosa".

O livro é lotado de personagens e o narrador se refere a eles de várias formas, ás vezes é pelo nome, outras pelo sobrenome e até pelo seu emprego, isso me confundiu muito, porque além de memorizar todos os personagens e seus nomes, ainda tive que lembrar de seus sobrenomes e profissões, só consegui me acostumar com todos os nomes, sobrenomes e profissões quase no fim do livro. Eu adorei todos os personagens, exceto os dois principais, mas a que mais amei foi a Clementina, não sei bem o porque, mas a melancolia dela me encantou.

O livro tem ótimos personagens, uma ótima narrativa, um cenário que me encantou, mas uma história central que não me agradou. Mesmo estando um pouco desgostosa com ele, eu recomendo, porque vi várias pessoas que gostaram e não porque não me agradou que não agradará outra pessoa. Talvez eu tenha até deixado algo passar, o que acabou resultando em uma história sem sal sobre um individuo e uma mulher casada. Quem sabe um dia eu o leia novamente e o interprete de uma forma diferente, mas enquanto isso ficarei com a minha opinião de que o livro não tem nada realmente interessante.

Autor: Graciliano Ramos
Número de Páginas: 196
Editora: BestBolso  

  • Sobre o Autor:



Graciliano Ramos (1892-1953) foi escritor brasileiro. O romance "Vidas Secas" foi sua obra de maior
destaque. É considerado o melhor ficcionista do modernismo e o prosador mais importante da segunda fase do Modernismo. Suas obras embora tratem de problemas sociais do Nordeste brasileiro, apresentam uma visão crítica das relações humanas, que as tornam de interesse universal. Seus livros foram traduzidos para vários países. Seus trabalhos "Vidas Secas", "São Bernardo" e "Memórias do Cárcere", foram levados para o cinema. Recebeu o Prêmio da Fundação William Faulkner, dos Estados Unidos, pela obra "Vidas Secas". (Fonte)





A Montanha Encantada

terça-feira, 13 de agosto de 2013
De repente uma luz começa a brilhar no alto da montanha em frente à casa do Padrinho. Curiosas para descobrir o que aquilo significa, as cinco crianças - Cecília, Quico, Vera, Oscar e Lúcia - fazem uma excursão até o topo da montanha e descobrem muito mais do que a origem da misteriosa luz, descobrem a verdadeira riqueza para uma vida feliz. 
As páginas são bem amarelas, acho que o tempo que passou na gaveta da minha tia contribuiu pra que elas ficassem mais amarelas e com umas manchinhas. Por sorte nenhuma mancha chegou perto dos desenhos, a coisa mais fofa do livro, já disse que amo livros ilustrados? O desenhos são todos coloridos e alguns têm os detalhes preto e branco, a divisória dos capítulos também é toda ilustrada. Os desenhos variam de tamanho, alguns ocupam uma página inteira ou uma boa parte dela, o que torna o livro super gostoso de ler.
Me disseram que esse livro é para crianças, pois então que eu seja uma criança para poder relê-lo futuramente. Se é um livro infantil, não sei dizer, mas este livro pode mudar a visão de muitas pessoas.

A Montanha Encantada conta a história de cinco crianças que resolveram fazer uma excursão até o auto da montanha de onde surgiu uma luz misteriosa. Ao chegar no topo eles encontram "a cidade mais rica do mundo" toda feita de ouro e pedras preciosas, mas depois de alguns dias na cidade eles percebem que sua riqueza é apenas isso: ouro e pedras preciosas.

O livro é simplesmente incrível, de uma forma simples e fácil ele mostra que nenhuma riqueza é mais importante do que a do espírito, afinal, ouro nenhum é capaz de comprar a sabedoria e a nobreza de espírito. Seria loucura dizer que não me apaixonei por ele; tem ilustrações, e bem escrito e tem uma lição muito valiosa em suas páginas. Se for realmente um livro infantil, tenho quase certeza que a criança que o leu não é tão materialista.

Fiquei muito feliz porque logo que terminei de ler o livro, vi que ele foi escrito por uma autora nacional então quero agradecer à minha tia que tirou ele do fundo da gaveta e contribuiu sem saber para o Literatura Nacional.

Eu poderia resumir essa resenha em algumas palavras: esse livro é ótimo e se você não ler por pensar que ele será "bobinho" e infantil, estará agindo como um completo "bobinho". Para mim ele foi bem mais que um livro, foi uma lição aprendida, uma lição que todos deveriam levar para o resto da vida: a maior riqueza do homem está em seu espírito.

Autor: Maria José Duprê
Número de Páginas: 111

Editora: Ática

  • Sobre a Autora:

Nascida na fazenda Bela Vista, na época município de Botucatu, era filha de Antônio Lopes de Oliveira Monteiro e de Rosa de Barros Fleury Monteiro.Maria José foi alfabetizada pela mãe e seu irmão mais velho. Ainda em Botucatu, estudou música em aulas particulares e pintura no Colégio dos Anjos. Sua formação literária, contudo, deu-se antes mesmo da frequência na escola: seus pais, apesar de não serem ricos, mantinham o hábito da leitura e ainda menina já tinha travado contato com livros clássicos portugueses e mundiais, de autores como Eça de Queiroz, Leão Tolstoi, Nietzsche, Rimbaud, Goethe e muitos outros.Mudou-se para a cidade de São Paulo, onde cursou a Escola Normal Caetano de Campos, formando-se professora. Sua vida na literatura começa após casar com o engenheiro Leandro Dup. (Fonte)

Copo Vazio

sexta-feira, 9 de agosto de 2013
 
O estudante Júlio conta sua história. Seus pais se separaram, ele mora no interior com a mãe, enquanto o pai vive na capital. Mesmo com a pouca idade, ele se torna totalmente responsável pela mãe, uma alcoólatra que precisa da supervisão do filho para não exagerar com a bebida.

Como qualquer adolescente do 3° ano do ensino médio, Júlio tem amigos. Um deles é Eduardo, alguns anos mais velho que Júlio, ele faz parte da Organização, sempre está fugindo da polícia e pedindo para que Júlio esconda pacotes suspeitos em seu quintal.

Júlio não é o melhor aluno, o melhor filho ou o melhor amigo. É desobediente, cínico e nada ingênuo. Sabe que é errado, mas ajuda Eduardo, impõe limites na vida de sua mãe. Júlio não é perfeito e, mesmo com todos os seus defeitos, tem um coração do tamanho do mundo.
Eu me apaixonei pelo livro desde que eu comecei a folheá-lo e percebi como eram divididos os capítulos. Cada capítulo tem uma ilustração própria, sempre nas mesmas cores: branco, vermelho e cinza. Ele é bem simples, mas ao mesmo tempo é incrível. A capa me deixou encantada e a combinação de branco, vermelho e preto ficou ótima.

Acho que não vou conseguir explicar direito como são as páginas, mas elas são de um material bem diferente, um tipo de papel não muito comum em livros. A fonte é simples, num tamanho um pouco maior do que o tamanho padrão e isso facilita muito a leitura, torna ela mais rápida e como o livro é bem fininho, menos de 200 páginas, é mais rápido pra terminar de ler.
Outra coisa que eu gostei bastante foi o espaço reservado para conhecermos mais sobre o autor e a ilustradora. Cada um fala um pouco sobre si mesmo e isso é interessante porque, na maioria dos livros, nós conhecemos os autores e todas as pessoas envolvidas em uma obra através de outras pessoas, então descobrir um autor através do próprio foi uma novidade pra mim.
Esse é o segundo livro do autor que eu leio do autor, o primeiro foi A Esperança por um Fio, e é a segunda vez em que ele consegue me emocionar.

Júlio tem a vida dividida entre viver sua adolescência e cuidar de sua mãe. Com o dinheiro da pensão que recebe do pai, totalmente indiferente para a situação do filho, ele vive com sua mãe e tem de suportar vê-la se embebedando com o seu dinheiro. Cansado da situação da mãe, ele resolve controlar cada gesto seu e assim tentar impedi-la de continuar bebendo.

Foi simplesmente impossível não se comover com a batalha de Júlio e de sua mãe contra a bebida, pois foi possível sentir que Dona Alzira (mãe de Júlio) tentava com todas as forças largar o vício, deu pra sentir o seu grito de socorro em cada vez em que ela jurava que nunca mais beberia e a decepção ao perceber que, mais uma vez, ela não cumpriu com sua palavra.

Júlio é quem conta a própria história, então a linguagem usada é informal, a linguagem que a maioria das pessoas, principalmente as mais jovens, usam no seu dia a dia. Ele é bem direto e expressa seus sentimentos de uma forma clara, sem esconder nada, ele permite que o leitor sinta o que ele está sentindo.

O final foi bastante previsível, eu estava já estava esperando que o "fato" (pra não dar spoilers) acontecesse bem antes do fim do livro. Apesar de ser esperado, o final representa o recomeço, uma nova vida.

Eu não tinha expetativas para esse livro, eu só esperava que fosse bom como o primeiro livro que li do autor e confesso que foi. Não direi que foi um dos melhores livros que li esse ano por que sempre digo isso ao terminar de ler um livro, mas posso dizer o que ele é ótimo, conseguiu prender minha atenção por um bom tempo e me emocionou muito.

Eu recomendo esse livro para qualquer pessoa que esteja disposta a conhecer a vida de um adolescente imperfeito, que ama acima de qualquer circunstância ou para qualquer pessoa que esteja disposta a ler uma história incrível e emocionante do começo ao fim. Um livro incrível que conta, através da história de Júlio, a história de muitos jovens que não desistem daqueles que amam.

Já estou sentindo um pequeno aperto no coração só em saber que na segunda terei que devolvê-lo para a biblioteca da escola, mas sei que devolvendo, darei a oportunidade para que outra pessoa possa lê-lo e tirar suas próprias conclusões sobre um livro que se tornou um dos meus favoritos.

Autor: Menalton Braff
Número de Páginas: 176
Editora: FTD

  • Sobre o Autor:


"Sou escritor com 19 livros publicados (por enquanto), conquistei o Jabuti 2000 (livro do ano ficção), fui finalista dos principais prêmios brasileiros por diversas vezes, e minhas ligações com a literatura, que nasceram na infância, perduram até os dias atuais, com dedicação exclusiva aos livros - próprios e de terceiros.Tenho viajado por conta de diversos projetos culturais, proferindo palestras, participando de mesas, de júris, e coordenando oficinas de criação literária.
" (Fonte)

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